Evandro Teixeira será homenageado no Paraty em Foco 2022

Atualizado: 17 de ago.


Homenagear Evandro Teixeira nesta edição do Paraty Em Foco é homenagearmos o melhor da fotografia brasileira em sua vertente autoral e documental, em um momento onde o testemunho sobre a verdadeira face do país, - em um cenário de crescente desinformação em especial no âmbito digital -, é essencial.

O fotojornalismo brasileiro estruturou-se como uma fotografia de resistência, em especial ao longo das décadas de arbítrio da ditadura militar. É neste contexto que Evandro construiu e amadureceu sua carreira e obra. Não há dúvida que nos acervos do fotojornalismo, nos órgãos de imprensa ou nos arquivos pessoais dos fotojornalistas, encontram-se as imagens que dão visibilidade aos despossuídos e segregados deste país. Esta enorme contribuição da fotografia para a compreensão da realidade discricionária do país é fundamental e deve ser preservada e difundida.

Nascido em 1935, Evandro Teixeira saiu de Irajuba, na Bahia, povoado a 307 quilômetros de Salvador, para fotografar o Brasil. E fez isso tão bem que é difícil dissociar seu nome de qualquer evento no país na segunda metade do século XX. Em quase 70 anos de atividade, 47 deles no Jornal do Brasil, registrou o golpe militar de 1964 e as manifestações estudantis de 1968, eternizou em imagens icônicas Pelé e Ayrton Senna, acompanhou a visita da Rainha Elizabeth e do papa João Paulo II, documentou fome e pobreza, mas também carnaval e festas populares. Política, esporte, moda, comportamento, nada escapou às suas lentes. Esse conjunto monumental, com mais de 150 mil fotografias, está desde novembro de 2019 sob a guarda do Instituto Moreira Salles. São mais de cem mil negativos, e também tudo o que diz respeito às suas quase sete décadas de trabalho, das quais 47 anos num só veículo de imprensa: o Jornal do Brasil. Fazem parte do acervo equipamentos variados, como suas primeiras câmeras e aparelho de telefoto, além de revistas, livros, recortes de jornais, cartazes e catálogos de exposições. Além de sua produção no JB, o arquivo de Evandro Teixeira inclui projetos independentes, como a farta documentação que fez de Canudos. O trabalho está no livro Canudos – 100 anos, mas para além dele e dos negativos de vários anos de trabalho, há toda uma história de bastidores da sua aproximação com os descendentes do massacre no sertão da Bahia.

A obra de Evandro Teixeira é, portanto, expressão plena deste compromisso do fotojornalismo com o testemunho direto da realidade do país e com a liberdade de expressão, essenciais tanto em nosso passado recente como ainda hoje.

Sergio Burgi


Conteúdo completo em: https://www.pefparatyemfoco.com.br/

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